Tuesday, 28 July 2015

ANDRÉ DA SILVEIRA DO PÓ PRIMEIRO SENHOR DA MOITA LONGA

André da Silveira do Pó, cavaleiro fidalgo da Casa Real, juiz da Alfândega de Lisboa, senhor da Moita Longa, recebeu carta de armas a 11 de Abril de 1532[1].

Dom João etc.. A quantos esta minha carta virem faço saber que André da Silveira do Pó Cavaleiro fidalgo da minha Casa me fez petição por linha direita masculina e que de direito as suas armas lhe pertencem. Pedindo-me por mercê que por a memória dos seus antecessores se não perder e ele gouvir e usar as honras das armas que pelos merecimentos seus serviços ganharam lhes foram dadas e assim dos privilégios, honras, graças e mercês que por direito por bem delas lhe pertencem se lhe mandasse dar minha carta das ditas armas que estavam registadas em os livros de registo das armas nobres de fidalgos de meus reinos que tem Portugal meu principal Rei de Armas. A qual vista por mim sobre ela tirar inquirição de testemunhas. A qual por virtude de um meu alvará foi tirada pelo Dr. Fernand’ Álvares d’ Almeida chanceler da minha Casa do Cível e por André Lopez escrivão pela qual se prova que o dito André da Silveira descender por linha direita masculina da dita geração dos do Pó como filho legítimo que é de Cristóvão Alvarez do Pó e neto de Gil Alvarez do Pó foi neto de Joam Annes do Pó que foi fidalgo do muito honrado alcaide mor de Óbidos e foi chefe desta geração e deixou uma capela e morgado na dita vila cujos administradores foram seus avós e pai dele André da Silveira e ele as quais lhe mandei dar esta minha carta com seu brasão, elmo, timbre como aqui são divisadas e assim como fiel e verdadeiramente se acharam divisadas e registadas nos livros dos registos do dito Portugal rei de armas. As quais armas são as seguintes scielibet o campo de prata com um leão de púrpura com o rabo entre as pernas agachado para saltar e uma bordadura vermelha com oito aspas de prata, elmo de prata aberto guarnido de oiro, paquife de prata e púrpura e por timbre o dito leão o qual escudo, armas e sinais possa trazer e traga o dito André da Silveira assim como des trouxeram e delas usaram seus antecessores e os nobres e antigos fidalgos sempre costumaram as trazer em tempos esclarecidos reis meus antecessores e com elas possa entrar em batalhas, campos, duelos, reptos e escaramuças e desafios e exercitar com elas todos os outros autos, leitos de guerra e paz e assim as possa trazer em seus firmais, anéis, sinetes e devisas e as pôr em suas casas, edifícios e deixá-las sobre sua própria sepultura e finalmente se servir, honrar, gouvir e aproveitar delas em todo e por todo como a sua nobreza convier. Porém mando todos meus corregedores, desembargadores, juízes e justiças e alcaides e em especial aos meus reis de armas, arautos e percevantes e a quaisquer outros oficiais e pessoas a que esta minha carta for mostrada e o conhecimento dela pertencer que em todo lhe cumpram e guardem e façam cumprir e guardar como em ela se guarde sem dúvida nem embargo algum que lhe a ele seja posto porque assim é minha mercê dada em Setúbal aos doze dias de Abril e El Rei o mandou pelo bacharel António Rodriguez Portugal seu rei d’ Armas principal Pedro d’ Évora rei d’ Armas Algarve e escrivão da nobreza a fez ano de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil quinhentos e trinta e dois anos.

Esta carta assume um valor histórico de grande importância, uma vez que vem contrariar a tese que aponta João Afonso do Pó como chefe de geração de linhagem Pó (Poo).

Com efeito e como se pode observar na carta, o chefe de geração desta linhagem foi (Joam Annes do Pó que foi fidalgo do muito honrado alcaide mor de Óbidos e foi chefe desta geração e deixou uma capela e morgado...).

Por outro lado, vem confirmar que esta família toma o apelido Pó, por provir da aldeia do Pó (...como ele descendia da geração de linhagem dos do Pó...).

João Afonso (do Pó), foi vassalo do rei D. Fernando e alcaide-mor de Óbidos e casou (?) com Maria Teles. Desta união nasceu João Anes do Pó. Este, a 20 de Janeiro de 1377 (era de 1415), sucede a seu pai na alcaidaria-mor de Óbidos[2], e a 12 de Março de 1381 (era de 1419), instituiu uma capela e morgado na igreja de S. Pedro de Óbidos, de que era cabeça uma grande Quinta no lugar do Pó.

Só no termo de Óbidos tinha mais de setenta moradas.

João Anes do Pó casou com D. Inês Machado, senhora de Entre Homem-e-Cávado, descendente por linha direita masculina de D. Mendo Moniz, que a machado arrombou as portas de Santarém, em 8.5.1147, e que D. Afonso Henriques recompensou concedendo-lhe que usasse o apelido de Machado, dando-lhe o senhorio de Entre Homem-e-Cávado.

João Anes do Pó encontra-se sepultado na igreja de S. Pedro de Óbidos.

Junto ao pórtico, está a sua pedra tumular que tem gravado um leão com o rabo entre as pernas agachado para saltar, tal como é referido na carta de armas de André da Silveira do Pó.

Na aldeia da Amoreira, junto à aldeia do Pó, vamos encontrar a mesma representação – deste leão –, por cima de uma janela de uma casa, que pertencia ao morgado dos Pó.

A título de curiosidade, registe-se que foi na adega desta casa que se inventou e se começou a produzir aquele que é hoje um dos mais apreciados licores de Portugal: a ginjinha de Óbidos.

Segundo J.L. Manso de Lima[3], o primeiro nome que aparece em Portugal desta família é Estêvão Jacques. Está sepultado na igreja de Santa Maria de Óbidos.





(1) João Afonso (do Pó). Nos nobiliários mais apurados do reino, no título Pó (Poo) aparece João Afonso do Pó casado com Maria Teles. Porém, no Título Teles, por sinal, mais ilustre, não aparece nenhuma referência a uma Maria Teles casada com João Afonso do Pó. No Título Teles, o que vem é o registo de D. Maria Teles, irmã da rainha D. Leonor, que foi brutalmente assassinada por seu marido, o infante D. João, filho de D. Pedro e de D. Inês de Castro, sob a acusação de adultério.

Acontece que nesse período de tempo, quem estava à frente dos desígnios do castelo de Óbidos era o alcaide-mor João Afonso (do Pó), e quem habitava o paço do Moledo – situado a uma légua de Óbidos, no planalto das Cezaredas (hoje, concelho da Lourinhã) –, era o infante D. João, que recebera por herança de seu pai esta moradia real[4].

Foi também nesta altura que o rei D. Fernando doou a sua mulher, D. Leonor, irmã de D. Maria Teles, a vila de Óbidos.

O rei ordenou então que se restaurasse o castelo, se levantasse a parede e as torres do lado norte, e se reformasse o torreão do paço. E assim, em 1375 (era de 1413) começaram as obras, conforme consta na inscrição esculpida no umbral que da escada dá acesso à torre e torreões anexos, a qual diz: Em 1413 no mês de Outubro foi começada esta torre por mando de El-Rei D. Fernando do qual foi vedor Diogo de Atouguia e foi dela mestre Inácio Domingues e foi feita à custa do mesmo.





Castelo de Óbidos (Paulo Juntas / 2007)

Agora a questão que se coloca é a seguinte: quem seria a misteriosa Maria Teles, que casou ou viveu com João Afonso (do Pó)?

(2) Fernão Pó. Subsistem muitas dúvidas se este Fernão Pó será o mesmo que em 1471 descobriu a ilha Formosa, que, mais tarde, tomou o seu nome: ilha de Fernão Pó. A verdade porém, é que na Torre do Tombo, na Chancelaria de D. João II, Livro 20, fólio 77 verso, vem a carta que legitima Fernão Pó, filho de João Anes do Pó.

(3) Gil Álvares do Pó. Foi fidalgo da Casa Real, vassalo e corregedor da Corte, escudeiro do infante D. Henrique. Continuou o morgado do Pó, e casou com sua prima co-irmã Guiomar Machado.

(4) Cristóvão Álvares do Pó. Foi morgado do Pó e cavaleiro fidalgo da Casa Real. Casou a primeira vez com D. Catarina da Silveira.

Cristóvão Álvares do Pó, casou em segundas núpcias com Leonor de Seixas.






(1) Diogo De Seixas. Foi escrivão do Almoxarifado de Viseu, escrivão da Feitoria de São Jorge da Mina, comendador de Santa Maria de Tondela e comendador de Santo André de Torselo. (Os comendadores e os alcaides-mor tinham em comum as atribuições militares para as quais eram investidos, e ainda as funções administrativas e judiciais, no exercício das quais colaboravam com as autoridades propriamente ditas. O que os distinguia, é que o comendador exercia as suas funções nas povoações das ordens militares).

(2) Diogo Brandão. Foi vedor da Fazenda de D. João II e poeta do Cancioneiro Geral de Garcia de Resende.

A poesia de Diogo Brandão, de feitura palaciana, engloba temas de amor, de sátira e “cousas de folgar”, com marcas de influência dantesca e petrarquista. Diogo Brandão escreveu “O que se caça em Portugal”. Chorou, em oitavas, a morte de D. João II e compôs com vinte e sete oitavas em redondilhas um poema italianizante: “Fingimentos de Amor”.

Alguns poetas de grande relevo se acomodaram com Diogo Brandão no Cancioneiro Geral: o infante D. Pedro, duque de Coimbra e regente do Reino, e ainda seu filho D. Pedro, o condestável do Reino; D. João Manuel, filho do bispo da Guarda e neto d’ el-rei D. Duarte; D. João de Meneses, irmão do conde de Cantanhede; D. Filipa de Vilhena, D. Joana de Sousa, D. Leonor Mascarenhas, D. Guiomar de Castro, D. Maria de Melo, etc.

CANCIONEIRO GERAL[5]

DE DIOGO BRANDÃO À MORTE D’EL REI DOM JOÃO O SEGUNDO QUE É EM SANTA GLÓRIA

Este foi aquele bom rei Dom João,

o mais excelente que houve no mundo,

rei destes reinos, deste nome o segundo,

humano, católico, sujeito à razão.

Do qual mui bem creio, sem contradição,

julgando suas obras e como morreu,

que deve bem certo de ter salvação,

pois tão justamente sempre viveu.



Teve nas cousas de Deus excelência,

aquelas amava, honrava, temia,

em fábricas santas mui bem despendia

assaz largamente com magnificência.

Com justa medida e grã providência,

suas esmolas mui bem repartia,

quem se prezava de santa ciência

muito por certo ant’ ele valia.



Era em suas obras bem temperado

que o que por palavra uma vez prometia

de tal maneira com fé o cumpria,

como se fora por ele jurado.

Não se gloriava de ter alcançado

por favor de Fortuna nenhum bem temporal,

toda sua glória era tê-lo ganhado

por alguma virtude e bem divinal.



Com ânimo grande d’ esperas reais,

abriu o caminho de toda Guiné,

mais por crescer a católica fé

que não por cobiça dos bens temporais.

Com ela fez ricos os seus naturais,

os infieis trouxe haver salvação,

pois obras tão justas e tão divinais

serão sempre vivas segundo razão.



Seus males e culpas gemendo com dor,

partiu desta vida na fé esforçado,

pelo qual creio que outro reinado

possui lá com Deus muito melhor.

Fez fim no Algarve, na vila d’ Alvor,

no décimo mês ao fim já pró pinco,

sendo da era de Nosso Senhor

quatorze centenas noventa mais cinco.

(3) Francisco Serrão. Foi secretário do Conselho de D. João II.



(4) Brites Brandoa. Foi a padroeira do Convento de Santo António da Lourinhã. Foi casada com D. Brás Henriques – filho de D. Jorge Henriques –, caçador-mor do infante D. Luís, senhor de Barbacena (Assumar), onde edificou o castelo, no séc. XVI.

A história do convento escreve-se a partir de 2 de Maio de 1598[6], quando um grupo de frades Franciscanos da Recoleição pediram autorização para fundar, na Lourinhã, um mosteiro. Obtido o aval da Câmara, pouco tempo depois, deu-se o dito por não dito: que se construa, sim, o mosteiro, mas para os padres Marianos. Atónitos, os Franciscanos de imediato apresentaram um agravo contra a edilidade.

Como o caso era do foro eclesiástico, o assunto chegou ao arcebispo de Lisboa, D. Miguel de Castro. O arcebispo e o seu coadjutor D. Frei Tomé de Faria, resolveram rapidamente a contenda, que resultou a favor dos Franciscanos da Recoleição.

Brites Brandoa, como se disse, foi a padroeira do Convento de Santo António (2 de Junho de 1609). A capela-mor foi-lhe inteiramente dedicada, para nela se sepultar, e seu marido, falecido em 1601, cujos restos mortais se encontravam depositados na igreja de Nossa Senhora da Visitação, em Vila Verde dos Francos. Assim, do lado do Evangelho, podemos admirar o sumptuoso túmulo, projectado por Pedro Nunes Tinoco e construído por André Duarte.

A 31 de Janeiro de 1629 é feito e aprovado o testamento da padroeira na Quinta da Messejana, termo de Torres Vedras. Nele fez constar que os seus restos mortais fossem amortalhados no hábito dos frades Franciscanos e depositados junto aos do marido, no convento da Lourinhã.

No túmulo de D. Brites Brandoa, existe um letreiro com a seguinte inscrição:

D. Brites Brandoa, filha de Francisco Serrão, Secretário do Conselho de Sua Majestade, e de D. Maria Brandoa, fez esta capela e sepultura para jazigo de D. Brás Henriques, seu marido, filho de D. Jorge Henriques e de D. Isabel de Miranda, descendentes dos reis de Portugal, padroeiros deste mosteiro. Faleceu a 30 de Novembro de 1601, e descendentes.

(5) Gaspar de Seixas, letrado, elaborou o alvará de licença de impressão d’Os Lusíadas.





(6) Jerónima de Vasconcelos era filha de Manuel Correia de Aboim e de Isabel de Oliveira.

(7) Francisco Correia Manuel era descendente do rei D. Duarte e de D. Joana Manuel.

(8) Diogo de Barros Machado foi desembargador do Paço.

(9) António de Barros Cardoso. Foi cavaleiro fidalgo da Casa Real e comendador de S. Miguel da Cota. Acompanhou a expedição de Pedro Álvares Cabral que descobriu o Brasil, tendo ali recebido a capitania de Piauí, de onde foi primeiro donatário.

André da Silveira do Pó, tomou posse do cargo de juiz da Alfândega de Lisboa, a 12 de Fevereiro de 1534[7]. Morreu em 1559.



André da Silveira do Pó, casou com Catarina de Brito, e deixaram a seguinte descendência:


(1) Catarina de Brito. Filha de Mem de Brito, natural da Lourinhã, cavaleiro fidalgo da Casa Real.

(2) Francisco de Brito. Cavaleiro fidalgo da Casa Real, 6º senhor do morgado do Pó, 2º senhor da Moita Longa, fundador e primeiro provedor da Misericórdia da Lourinhã, em 20.09.1586, capitão-mor do galeão Santiago e juiz da Alfândega de Lisboa. Francisco de Brito casou com,

(3) Maria da Silva, de ilustríssima família de título Silva:



(A) Lourenço de Faria. Monteiro-mor de D. João II e alferes-mor do príncipe D. João.

(B) Nuno Fernandes de Ataíde, cunhado de Vasco da Gama.

(C) Antão de Faria. Homem de confiança do príncipe D. João – futuro rei D. João II –, foi enviado por este a D. Afonso V, então em França, de onde expediu para Portugal a carta em que o monarca abdicava no seu filho. Já no fim do reinado de D. João II, o rei – já muito doente – pretendia deixar o trono, na falta de filho legítimo, a seu filho bastardo D. Jorge de Lencastre. Desta ideia o dissuadiu Antão de Faria, valido que se recusou a escrever o testamento nesse sentido, alegando com energia os perigos a que isso sujeitava o reino, por haver herdeiro legítimo na pessoa de D. Manuel, duque de Beja, futuro rei D. Manuel I.

(D) Simão de Faria. Casou com Filipa de Sousa.

(E) Francisco de Faria. Alcaide-mor de Palmela, valido de D. João II. Foi casado com Joana da Silva e Castro, filha de Aires da Silva, alcaide-mor de Montemor-o-Velho.

(F) António de Faria e Sousa. Também conhecido por António de Faria, foi o célebre companheiro de Fernão Mendes Pinto nas suas viagens e explorações no Extremo-Oriente[8].

(G) Gonçalo Gomes da Silva. Alcaide-mor de Soure, senhor da Chamusca e de Ulme, alferes-mor do rei D. João I.

(H) Frei Gonçalo da Silva. Monge de Cister e prior do Mosteiro de Alcobaça.

(I)Afonso da Silva. Alcaide-mor de Soure.

(J) Jorge da Silva. Filho bastardo de Gonçalo Gomes da Silva.

(L) Inês Gomes da Silva. Filha bastarda de Jorge da Silva. Casou com João Vaz de Camões.

(4) António de Brito da Silva, 3º senhor da Moita Longa. Casou a primeira vez com Maria Bernardes (sem geração), filha de António Vaz Bernardes, senhor da Quinta da Foz, Foz do Arelho. Casou a segunda vez com Maria de Castelo Branco, de quem teve descendência.

(5) Tomás de Brito da Silva, 4º senhor da Moita Longa. Casou a primeira vez com (…) com quem viveu na Quinta de Santa Marta. A segunda vez com uma filha de Allonso Castelhano, com a qual não fez vida. A terceira com Maria Vogado de Sottomayor.

(6) Maria Vogado de Sottomayor. Era natural de Coimbra. Foi filha do Dr. Filipe Vogado Sottomayor, natural da Ilha da Madeira, provedor da comarca de Castelo Branco, e de Maria Inácia de Almeida, natural de Coimbra, filha de Gabriel Leitão e de Ana de Almeida.

(7) Francisca Antónia da Silva. Casou a primeira vez com António Teles Caldeira, e a segunda, com Rodrigo de Sousa Pereira Mascarenhas.

(8) Manuel Homem de Quadros. Foi capitão-mor de Soure. Filho de Manuel Homem de Quadros e de Isabel da Silva Mascarenhas.

(9) Francisco de Brito da Silva, morreu na Índia.



(10) Simão da Silva Castelo Branco. Foi cavaleiro do Hábito de Cristo, para o qual se habilitou pela Mesa da Consciência, em 1644. Morreu solteiro.

(11) Gonçalo de Brito. Serviu muitos anos na Índia e nas armadas. Notabilizou-se pela sua eloquente audiência pública antes da aclamação em Madrid de Filipe IV de Espanha.

(12) João da Silva e Manuel de Brito, morreram em Alcácer Quibir com D. Sebastião.

(13) Francisco da Silva, João de Brito e Martim Gonçalves, morreram na Índia.

(14) Frei Jerónimo da Silva. Foi carmelita e religioso da Companhia de Jesus. Nasceu em Oliveira do Douro a 8.9.1588 e morreu na Casa Professa de São Roque, em Lisboa, a 14.10.1638. Entrou no noviciado de Coimbra para irmão coadjutor ou auxiliar leigo a 8.9.1601. Aí, desempenhou durante 19 anos o ofício de porteiro. Tinha também a seu cargo a capela dos confrades da Senhora das Neves. No mesmo colégio conheceu e tratou das coisas do espírito com o Padre Francisco Suarez Gratense, de cujas demonstrações de santidade deu testemunho, o qual devido à excepcional importância tem sido incluído em quase todas as biografias do célebre lente de prima da Universidade de Coimbra.

(15) Filipa da Silva: 






(M) António Vaz Bernardes. Senhor da Quinta da Foz, Foz do Arelho, testamenteiro da infanta D. Maria, filha de D. Manuel I.

Como se pode observar, Filipa da Silva e António de Brito da Silva (3º senhor da Moita Longa), eram casados respectivamente com Martim Vaz Bernardes e Maria Bernardes, filhos de António Vaz Bernardes, senhor da Quinta da Foz.

(16) Luís de Brito. Foi capitão de navio e serviu na Índia.
Luís de Brito e Guiomar de Andrade eram moradores na Rua das Parreiras, em Lisboa, e tinham um casal, em Valada do Ribatejo. A 18.2.1566 venderam o dito casal a D. Fernão Álvares da Cunha e sua mulher Joana Vaz, célebre poetisa, amiga íntima de Camões, dama da infanta D. Maria, filha de D. Manuel I, que aqui instituíram uma capela e morgado.

Este casal, conforme consta na Biblioteca Nacional de Lisboa – Reservados –, fora adquirido em 5.8.1384 (era de 1422) por João Anes do Pó e D. Inês Machado, seus antepassados.

(17) Luís Gonçalves Ferreira. Foi porteiro do Governo. Era filho de Manuel Ferreira e de Leonor Espinosa.

(18) Inês e Isabel, foram freiras em Santa Clara de Lisboa.


[1] IAN/TT, Chancelaria de D. João III, L. 18 f. 19 v
[2] IAN/TT, Chancelaria de D. Fernando, f. 200 v
[3] Jacinto Leitão Manso de Lima, Famílias de Portugal tiradas dos nobiliários mais apurados do mesmo reino acrescentadas e ordenadas de instrumentos autênticos e jurídicos (Manuscritos)
[4] J. T. Montalvão Machado, Os Amores de D. Pedro e D. Inês em terras da Lourinhã, Gaia e Coimbra, Lisboa, 1967
[5] Não estão transcritas aqui todas as oitavas do poema
[6] IAN/TT, Chancelaria de D. João III, L. 9 f. 60
[7] IAN/TT, Chancelaria de D. João III, l. 7 f. 26
[8] Fernando Ribeiro de Mello, Fernão Mendes Pinto, Peregrinação & Cartas, Alguma Biografia de Fernão Mendes Pinto, comentários de Fernando António Almeida, pág. 1075-1090, Edições Afrodite, 1989, Lisboa.

Monday, 27 July 2015

OS MONTEIROS DA MATA REAL DA MOITA LONGA

A Quinta da Moita Longa, era uma antiga mata real que fez parte do extremo sul dos coutos da Ordem de Cister e que no início da Nacionalidade confinava com o porto de mar templário da Atouguia. A primitiva mata real, formava um triângulo cujos vértices coincidiam com os actuais marcos da entrada da Quinta, Óbidos e Atouguia. Pertencia à Real Montaria de Óbidos, que englobava as matas de Óbidos, Lourinhã e Atouguia, conforme consta numa carta de privilégio concedida ao concelho de Óbidos, a 30 de Março de 1512:

“ D. Manuel etc. A quantos esta nossa carta virem fazemos saber que da parte do Conselho da vila de Óbidos nos foi apresentada uma carta d’El-Rei Dom João meu bisavô da qual o teor tal é como se segue/ Dom João por graça de Deus rei de Portugal e do Algarve a vós juízes e concelho d’Óbidos faço saber que da nossa parte pelos vossos procuradores que a nós enviastes a estas cortes que ora fizemos na cidade de Lisboa nos foram dados artigos especiais em que diziam que no tempo d’El-Rei D. Dinis d’El-Rei D. Afonso nossos avós e d’El-Rei nosso pai não haja aí mais que seis monteiros que uma até oito que guardavam as matas nossas que são nos termos dessa vila e que eram todos moradores desse termo e que quando algumas pessoas recebiam agravo dos ditos monteiros assim dessa vila como de fora que os juízes daí faziam deles direito porque a eles pertence a jurisdição e que El-Rei Dom Fernando nosso irmão que Deus perdoe fez além deste número outros muitos monteiros assim desse termo como da Lourinhã e da Atouguia e doutras partes (...) “

Mas como surgiram as matas reais?

Eram propriedades coutadas pelo rei, que tinham como principal objectivo a protecção da flora e o seu aproveitamento para a extracção de madeiras para a construção de navios, e a preservação da fauna, para o exercício da caça. 

No reinado de D. Dinis, as florestas começaram a expandir-se, projectando um futuro risonho para o reino. 

Eram atraídos para as florestas animais de grande porte, tais como o urso, o veado, o gamo, o lobo e o javali, e, outros animais menos corpulentos, criando assim um inovador ecossistema onde a fauna e a flora se acabariam por complementar. 

Ao mesmo tempo, estes espaços serviam na perfeição para o exercício de tácticas de treino militar, onde as árvores faziam o papel de obstáculo e os animais de grande porte, o de inimigos; e com os maiores e os mais pequeninos, aprenderam-se novas técnicas de camuflagem, construção de refúgios e planos de ataque e de defesa.

À caça de perseguição violenta a animais deu-se o nome de montaria. 

Causa no entanto muita estranheza o facto da Moita Longa – uma longa zona pantanosa coberta de moitas –, daí a designação, vir referida nas chancelarias do reino (Torre do Tombo), como uma montaria e uma mata real, uma vez que, como vem referido no livro, aqui não havia rigorosamente nada que o justificasse. Porquê uma mata real, se não era uma floresta? E por que motivo era mais vigiada que as restantes matas reais do reino?

No séc. XV, foi criada numa faixa essencialmente litoral e que se estendia do Minho ao Alentejo – a Coutada Velha –, que consistia num espaço florestal destinado para a caça dos reis e seus acólitos. 

A Coutada Velha era constituída pelas seguintes montarias reais: Soajo, Cabril, Terra de Santa Maria, Aveiro, Coimbra, Montemor-o-Velho, Penela, Leiria, Vila Nova de Ourém, Alcobaça, Torres Novas, Abrantes, Óbidos, Santarém, Alenquer, Coruche, Benavente, Sintra, Palmela, Setúbal, Montemor-o-Novo e Évora.

Por sua vez, em 1434, el-rei D. Duarte mandou colocar marcos nas matas reais da Real Montaria de Óbidos, e que eram as seguintes: Moita Longa, Mata Velha, Avenal, Ribeira rica, Faldreu, Navalhas, Delgada, Vade, Arrifes, Valbenfeito, Ameal, Cezedoira, Mata seca, Mata d’Amoreira, a do João Manuel Traquelay, Formigal, Cezareda, Zimbal, Ilha de Peniche, Alberguaria, e outras Matas algumas que por seus privilégios são coutadas.

Para a defesa destes ecossistemas, foi criado um corpo de funcionários administrativos que superintendiam nas matas reais: os monteiros. Estes, guiavam-se por um regulamento de medidas restritivas, proibitivas e punitivas em relação ao usufruto de todo o tipo de bens, produtos e espécies vivas existentes nas matas.

No topo da organização estava o monteiro-mor do reino, logo abaixo os monteiros-mor das montarias e, finalmente, os monteiros pequenos e guardadores das matas, constituídos por lavradores abastados, que ao alcançarem estes cargos, lhes era automaticamente atribuído o estatuto de nobreza civil, gozando ainda de privilégios sociais e institucionais.

Por outro lado, como guardadores das matas, tinham por obrigação zelar e controlar todos os recursos florestais, animais e aquíferos existentes, impedir a caça de javalis, veados ou cervos, impedir o corte de madeira ou de lenha e a apanha de cortiça, impedir a apascentação de porcos dos moradores dos concelhos. 

Faziam-se acompanhar de uma azeuma (lança curta e arrojadiça) e um sabujo (cão de caça grossa) para acompanhar o rei na caça, sempre que este o determinasse.

Os monteiros tinham ordem expressa para prender todos aqueles que não cumprissem essas determinações, havendo também penas pecuniárias a serem pagas pelos infractores.

A título de exemplo e como vem referido no Livro Vermelho de D. Afonso V, no que concerne às matas reais da Real Montaria de Óbidos, quem matasse porco, ou porca, ou bácoros, teria que pagar por cada cabeça dois mil reis e seria preso e degradado um ano para Arzila.

Quem fosse apanhado a matar coelhos, pagaria por cada cabeça cem reis, perdia os cães e o furão e seria preso até mercê de el-rei.

Por carrega de casca de madeira, a pena era de duzentos reis.

Quem fosse visto a correr a monte nas ditas matas, pagaria dois mil reis. 

O desgraçado que fosse apanhado a cortar um pau, pagava quatrocentos reis.

A preparação de uma montaria era cuidada até ao último pormenor. Moços e escudeiros deslocavam-se atempadamente ao local, avisando as aldeias vizinhas da chegada do rei e dos grandes senhores. Alvoroçavam-se as populações, engalanando as suas casas para tão alto acontecimento.

Enquanto isso, de lança em punho e traje a rigor, monteiros a cavalo buscavam e aprazavam a veação, trazendo consigo matilhas de cães excepcionalmente dotados: cães de busca (sabujos) e cães de correr (alãos), que eram conduzidos pelos moços.

O alvo preferido da montaria era o javali, embora outros animais corpulentos entrassem no seu âmbito, tais como o urso, o cervo, o gamo e o lobo, como se disse. Estes, dificultavam ao máximo todas as tarefas, muitas vezes até com vantagem, defendendo-se com as suas melhores armas: o javali com as presas, o urso com as unhas dos dedos, o cervo com os galhos. 

A montaria de uma veação, porco-montês, urso ou cervo, durava geralmente um dia. Mas, se por variadíssimos motivos, a luz do dia não fosse suficiente, durante a noite era feito um círculo com fogueiras e colocados cães de guarda em redor – não fossem os animais abalar.


O ambiente era de pompa e circunstância; mas também de muito respeito. 

As bestas transportavam os géneros e as alfaias para fazer a comida, e carregavam também o vestuário dos homens, pois consoante as condições climatéricas, havia muitas vezes necessidade de mudas.

Os tecidos eram riquíssimos e tudo obedecia a grandes despesas.

Na Idade Média, os monteiros eram convidados, especialmente durante as caçadas, para cear no paço do rei ou na casa dos grandes senhores, onde se compraziam a contar pela noite dentro, as boas ou más venturas de um dia bastante intenso, mas não menos excitante.



Moita Longa (Idade Média)

A ceia era marcada para as seis ou sete horas da tarde e era geralmente composta por dois pratos, para além dos acompanhamentos e sobremesas.

Sobre a mesa e sobre uma espécie de alcatifa (bancal ou mantel), era posta a toalha, que na maior parte das vezes não cobria a superfície total. Nas partes que ficavam a descoberto, em ambos os topos, eram colocadas toalhas mais pequenas, às quais hoje chamamos guardanapos.

Peças de ourivesaria enfeitavam a mesa – servindo simultaneamente como terrinas –, onde eram colocadas as facas, colheres (não havia garfos), sal, especiarias, etc. Sobre a toalha espalhavam-se também uma espécie de suportes – lingueiros –, constituídos por bicos de aves ou chifres de animais encabados em ouro e prata, onde se suspendiam línguas de serpente e uma série de pedras raras, tais como a ágata e a pedra serpentina, que tinham por objectivo detectar alimentos envenenados. No contacto com os alimentos, segundo a superstição, se os talismãs mudassem de cor, se se manchassem ou se começassem a sangrar, era sinal de que estavam impuros.

À ordem do rei ou do senhor, ninguém se sentava sem que primeiro lavasse as mãos. Para o efeito, eram trazidas à mesa justas ou gomis, geralmente em prata, que tanto podiam conter água simples como água de rosas ou de outro perfume.

Não existia norma para a distribuição dos lugares.



À frente de cada conviva era colocada uma grande metade de pão em forma arredondada, que depois da Idade Média foi substituída, primeiro pelo talhador de madeira e posteriormente pelo prato.

Dado o sinal a um servidor para que se pudesse dar início à ceia, este, dirigia-se de imediato à cozinha, que ficava fora do corpo da habitação.

Assim se evitavam dentro da casa cheiros, imundices e bichezas.

Estranha contradição: no final do repasto, as metades de pão que haviam servido como pratos, logicamente embebidas em molhos e outros detritos, eram atiradas aos cães que se encontravam ao redor da mesa, ou, então, levadas para fora para serem distribuídas por mendigos.

Em procissão e entrando na sala chefiados por um porteiro, vinham tocheiros e servidores, que traziam consigo bacias, terrinas e bandejas, com todo o tipo de iguarias.
            
A sopa era servida em escudelas de madeira, prata ou barro (tigelas) e para beber utilizavam-se vasos (copos de dimensão maior aos dos nossos dias).

Consoante o requinte do banquete, variava a abundância dos alimentos. 

A carne era o prato por excelência. Entre as carnes gordas, podiam-se contar vaca, porco, carneiro e cabrito; entre as carnes de caça: gamo, zebro, cervo, corço e lebre; entre as carnes de criação: galinhas, patos, gansos, pombos, faisões, pavões, rolas e coelhos; e ainda, uma grande variedade de aves: perdiz, abetarda, gru, pato bravo, cerceta, garça, maçarico, sisão, galeirão, calhandra; para além de chouriços e linguiças.

A carne podia ser confeccionada no espeto (assado), cozida (cozido), picada (desfeito), estufada (estufado) ou guisada com refogado (afogado). Não raras vezes era também servido badulaque, que consistia numa espécie de caldeirada de carneiro.

Se, porventura, a ceia coincidisse com um dos sessenta e oito dias do ano em que para os católicos era obrigatória a abstinência de carne, em sua substituição eram servidos pratos de peixe.

Os mais apreciados eram o linguado, a azevia e o salmonete, que alternavam com marisco, sendo a ostra a predilecta.

Mas, também a pescada (peixota) fazia parte dos hábitos alimentares, tal como a sardinha, congro, sável, lampreia, ruivo, pargo, atum, truta, solha, besugo, cação, rodovalho e goraz.

No que diz respeito aos mariscos, às ostras podiam-se juntar amêijoas, berbigões, lagostas e caranguejos. 

Em tempo de jejum, nada de ovos, queijo, manteiga, banha e vinho.

O peixe era geralmente servido frito ou em empadas. Alqueires de farinha eram usados para a massa das empadas, e, como condimentos, eram servidas laranjas azedas (a laranja doce só foi trazida para Portugal por Vasco da Gama), salsa, azeite, vinagre e sal. O peixe seco salgado e defumado também entrava nos hábitos alimentares.

Aos condimentos supracitados, juntavam-se as ervas de cheiro, salsa, coentros, hortelã e sumos de limão, de agraço, de vinagre, de cebola e de pinhões.

As hortaliças e os legumes raramente iam à mesa do rei e dos senhores, embora o mesmo já não se possa dizer relativamente ao povo, onde também couves, favas, ervilhas e feijões eram consumidos como complementos do pão.   

Para as classes superiores faziam também parte das iguarias brócolos, alfaces, pepinos, rabanetes, rábanos, cogumelos, cenouras, nabos e espargos.

O pão era de trigo, pouco crescido, geralmente de forma circular, e o seu peso oscilava entre 150 e 750 gramas.

Os ovos eram cozidos, escalfados ou mexidos.

A ceia, à boa maneira portuguesa, era regada com vinho, embora fosse aconselhado e apenas aconselhado, moderação.

D. Duarte, no Leal Conselheiro, recomenda mesmo que em cada vaso duas partes sejam de água e que não se beba mais que duas ou três vezes.

Uma recomendação que não se aplicava aos conventos, onde o uso do vinho não suscitava críticas.

Para as sobremesas havia fruta e doces feitos à base de lacticínios, que no entanto não eram aconselhados: que não se comam natas nem outras viandas de leite, consideradas húmidas e por isso nocivas à saúde; ou, a comê-las, que seja em pouca quantidade e sempre no fim das refeições; e que jamais se beba depois de as ter tomado.

Geralmente os doces eram confeccionados à base de mel devido ao elevado preço do açúcar.

Só a partir dos séculos XVII e XVIII se iria desenvolver a afamada indústria doceira portuguesa.

Serviam-se biscoitos de flor de laranjeira, pasteis de leite, pão-de-ló e bolos feitos à base de mel, farinha e especiarias (farteis).

Os ovos entravam praticamente em todas as receitas de doçaria, sendo as mais comuns: os canudos e os ovos de laço.

A fruta, tinha basicamente uma função dietética.

A sua variedade não fugia muito à dos dias de hoje.
   
A laranja azeda era muito mais utilizada que o limão, embora com funções semelhantes, pelo facto deste último ser considerado muito frio e agudo.

Também desaconselhado era o consumo de pêssegos e cerejas, por se julgarem vianda húmida.

Ao lado das frutas frescas vinham sempre os frutos secos e as conservas de doces de fruta.

Faziam parte do quotidiano, figos secos, passas de uvas, amêndoas, nozes, alfarrobas, castanhas, azeitonas, a par de conservas e doces de cidra (casquinhas, diacidrão), pêssego (pessegada), limão, pêra (perinhas, perada), abóbora e marmelo (marmelada, bocados, almivar de marmelo), e até de alface se confeccionava uma conserva especial conhecida por talos.

Terminada a ceia e uma vez que chá, café e chocolate eram desconhecidos, ao serão, saboreavam-se refrescos feitos à base de vinho e de frutas.

Como se pode verificar, a alimentação era parca em vitaminas, muito especialmente D e consideravelmente A e C. Isso implicava muitas vezes uma fraca resistência do organismo humano às mais diversas infecções.

Vejamos alguns exemplos extremamente caricatos, da forma mais prática e menos dispendiosa de como eram combatidas as infecções, sem recurso à medicina, cirurgia (que existia), orações e encantamentos ou actos de bruxaria:

Para as dores e inflamação dos olhos, podia ser aplicado um colírio de fel de andorinha, fel de perdiz, semente de funcho, erva arruda e vinho branco, claras e gemas de ovos, leite de cadela e de mulher, rosmaninho, pulmão de carneiro, cabra ou lebre, cinzas de esterco humano e urina amassada com mel.

Quanto às dores de dentes, aplicava-se esterco de porco, leite de cadela, fígado quente de doninha ou carne de cobra cozida depois de muito vergastada.

Para os desarranjos de ventre, servia-se fígado de bode assado mergulhado em vinagre forte, acompanhado de biscoitos; ovos escalfados em vinagre; rolas assadas e recheadas de cera, acompanhadas de vinho tinto ou água da chuva – desde que nela fosse previamente mergulhado um ferro em brasa antes de ser ingerida. Ao mesmo tempo, não era desaconselhável untar as ilhargas e as costas com pó de esterco de cabra misturado com claras de ovo. 

Se a diarreia voltasse ou não passasse, então sugeriam-se pezinhos de perdiz torrados e moídos em vinho ou, em alternativa, ovos assados com sumagre. Não era mau de todo também, esfregar o estômago e o ventre com claras de ovo com esterco de cabra bem peneirado, atando por cima uma ligadura. 

Em último caso, submetia-se o traseiro do paciente aos vapores de vinagre cozido com folhas de barbasco. 

Para as febres, inalavam-se gotas de sumo de erva primavera, na proporção de uma casca de noz. 

Aplicava-se um emplastro de minhocas fritas em manteiga, para as tetas das mulheres quando parirem,.

Nas Chancelarias da Torre do Tombo estão os nomes de todos os monteiros da Mata Real da Moita Longa. Uma vez que a lista é muito extensa, citam-se apenas alguns:
   
O primeiro nome que aparece é João Esteves, sucedendo-lhe seu filho Estêvão Anes (11 de Setembro de 1450).

Sucedem-se João Anes, o Moço (6 de Agosto de 1458), André Pires (15 de Agosto de 1458), Afonso Pires (5 de Agosto de 1459), Martim Pires (11 de Julho de 1468), Diogo Afonso (1474), Álvaro Migueis (26 de Novembro de 1479), Álvaro Fernandes (26 de Novembro de 1479), Diogo Anes (10 de Outubro de 1481), Pedro Fernandes (22 de Agosto de 1487), Rodrigo Anes (22 de Agosto de 1487), Tomé Enes (16 de Junho d 1488), Pedro Fernandes (28 de Janeiro de 1500), Pedro Afonso (30 de Setembro de 1503), Martim Fernandes (20 de Março de 1506), João Álvares (26 de Junho de 1522), Álvaro Fernandes (24 de Fevereiro de 1524), Martim Fernandes (18 de Outubro de 1528), Rodrigo Afonso (20 de Outubro de 1528).

No ano de 1533, foi doado um pedaço da Mata Real da Moita Longa ao juiz da Alfândega de Lisboa, André da Silveira do Pó.
     

Sunday, 26 July 2015

Lançamento do livro Quinto Império:
a fotorreportagem de Arlindo Homem

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Lançamento do livro Quinto Império”, de António Botto Quintans. "Da Lourinhã, nasce uma linha que passa rigorosamente por Tomar e San Juan de Oteró, o centro mágico da Península Ibérica".
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